segunda-feira, março 07, 2005

instante



2005

Deixai-me limpo
O ar dos quartos
E liso
O branco das paredes 
Deixai-me com as coisas
Fundadas no silêncio 
 Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, março 01, 2005

última ciência*

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2005

Águas espasmódicas, luas repetidas nas águas.
Ninguém sabe se as luas vistas pulsam da pulsação
das águas, ou se as águas pulsam
pela força das luas
exaltadas. E o mundo, o espelho que as luas acordam e de onde
transbordam as águas, sou eu que o contemplo,
é ele que me contempla,
ou trocamo-nos? Vivemos pelo poder
das imagens. Pelo sangue e a inocência
e o ríspido esplendor e a crispação fundida e a matéria
cardíaca e mútua.
- De nome em nome passam por mim os sopros.

(*herberto helder)

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

still life # 02

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the sleepers / bill viola

Tempo branco, tempo de nenhuma paixão.

Desce ao âmago desta cela debruça-te para o interior do meu vazio.
(Al Berto)

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

a maneira como olhava para as cousas*

O SENTIMENTO DE UM OCIDENTAL : IV HORAS MORTAS

O tecto fundo de oxigénio, d’ar,
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;
Vem lágrimas de luz dos astros com olheiras,
Enleva-me a quimera azul de transmigrar.

Por baixo, que portões! Que arruamentos!
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
E os olhos dum caleche espantam-me sangrentos.

E eu sigo, como as linhas de uma pauta,
A dupla correnteza augusta das fachadas;
Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas,
As notas pastorais de uma flauta.

Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!
Esqueço-me a prever castíssimas esposas,
Que aninhem em mansões de vidro transparente!

Ó nossos filhos! Que sonhos ágeis,
Pousando, vos trarão a nitidez às vidas!
Eu quero as vossas mães e irmãs estremecidas,
Numas habitações translúcidas e frágeis.

Ah! Como a raça ruiva do porvir,
E as frotas dos avós, e os nómadas ardentes,
Nós vamos explorar todos os continentes
E pelas vastidões aquáticas seguir!

Mas se vivemos, os emparedados,
Sem árvores, no vale escuro das muralhas!...
Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas
E os gritos de socorro ouvir estrangulados.

E nestes nebulosos corredores
Nauseiam-me, surgindo, os ventres das tabernas;
Na volta, com saudade, e aos bordos sobre as pernas,
Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores.

Eu não receio, todavia, os roubos;
Afastam-se, a distância, os dúbios caminhantes;
E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes,
Amareladamente, os cães parecem lobos.

E os guardas, que revistam as escadas,
Caminham de lanterna e servem de chaveiros;
Por cima, as imorais, nos seus roupões ligeiros,
Tossem, fumando, sobre a pedra das sacadas.

E, enorme, nesta massa irregular
Dos prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés, de fel, como um sinistro mar.

Cesário Verde
(* Alberto Caeiro, sobre Cesário Verde)

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

ou então

também pode acontecer movermo-nos na noite sem saída e sermos devorados pelo fogo

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2004

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

perdidos e achados

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2004

só conhecemos um lugar, uma pessoa, uma coisa quando nos perdemos neles

terça-feira, fevereiro 15, 2005

ouvido interno (floating above the grass)



múm / álbum finally we are no one / green grass of tunnel

pura poesia, de arrepiar o pelo sob um antecipado sol de primavera

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

diário de uma camélia

(entrada: 04 / fevereiro)
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ela está lá fora, aprendendo a rastejar lenta e subterraneamente

sábado, fevereiro 12, 2005

sob o olhar de medusa


laurie tumer / works on rock

é um processo de destruição – os fósseis redondos e baços das horas incrustados na carne morta dos dias, o tempo a devorar a alma.

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

dias com árvores





macieiras / 2005

embora se aguarde com expectativa a primeira folha continua o encantamento de habitar por momentos um delírio de D. Quixote

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

world press photo 04

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quando uma única imagem é mais significativa que 25 por segundo

no fórum da maia até 6 de fevereiro

segunda-feira, janeiro 31, 2005

sonho de um dia de inverno

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(douro / 2005)

deambular entre os vapores do azeite morno e os caminhos escondidos das aldeias
(ou manual de iniciação na arte de ser um quebra-esquinas)

sexta-feira, janeiro 28, 2005

se isto é um homem*

uma parte da nossa existência reside nas almas de quem entra em contacto connosco: eis porque não é humana a experiência de quem viveu dias em que o homem foi uma coisa aos olhos do homem.

Primo Levi (*)


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imagens da curta-metragem de Alain Resnais Noite e Nevoeiro, 1955

sessenta anos depois continuamos a construir uma história de atrocidades

quinta-feira, janeiro 20, 2005

pelos olhos passeiam imagens (# 04)

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susannah hays / cosmic man (da série in/visible cosmos)

mais que Vitrúvio, Prometeu agrilhoado

quarta-feira, janeiro 19, 2005

a nadadora

O primeiro contacto é de expectativa.
Vais entrar num outro elemento, desconheces ainda como actuar.


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Mergulhas. Agora, o teu único elo com o mundo são os pulmões. Só eles não se submetem, exigindo ar, exigindo que continues viva da única forma que aprendeste. São ainda matéria exalando coágulos de ar que rebentam à superfície da água e que te obrigam a emergir uma e outra vez abrindo a garganta ao mundo. Os pulmões não têm memória - esqueceram a dor da primeira respiração.

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Assemelhas-te a uma medusa.
Os teus braços e pernas, os músculos que te impulsionam, que estremecem de esforço quando expostos à terra e ao ar, já não são carne e não lhes sentes o peso esmagador. A dor da lei da gravidade cessou e a levitação não é mais um artifício mágico.

Mergulhas mais profundamente e o som do mundo é-te devolvido em ruídos desconexos. Sem ar todas as palavras se tornam indizíveis e é necessário aprender uma nova linguagem e assim transformas-te numa nadadora.

Deslizas, de olhos bem abertos, sentindo os halos de luz que chocam contra o teu corpo.
A tua comunhão é total: a morte deve ser este esquecer da consciência dela própria, este respirar dentro de água novamente, um tempo uterino invertido. O desaparecimento é uma simetria ousada do início da vida, regrides ao estado de embrião e tornas-te água.


(fotografias: ken rosenthal / da série seen and not seen)

sexta-feira, janeiro 14, 2005

jardim de inverno (# 02)

Estou a escrever-te do fim do mundo. Tens de sabê-lo. É vulgar as árvores estremecerem. Apanham-se as folhas. Com tantas nervuras que nem se imagina. Mas para quê? Já não têm nada a ver com a sua árvore, e por isso dispersamos, contrariadas.
A vida na terra não poderia prosseguir sem vento? Ou tem tudo sempre, sempre que tremer?
Também há movimentos subterrâneos, e em casa é como se viessem cóleras ter connosco, como se austeros seres viessem arrancar-nos confissões.
Nada vemos, do que importa tão pouco ver-se. Nada, e no entanto trememos. Porquê?

(henri michaux)

quarta-feira, janeiro 12, 2005

vamos brincar às bonecas?

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(2005)

na vila, descoberta pelo olhar de um miúdo, a boneca, à porta de casa, mutilada, suspensa de um prego.

estranhos paralelos de identidade.

domingo, janeiro 09, 2005

sexta-feira, janeiro 07, 2005

1+1

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(louise bourgeois)

quando o meu amor vem ter comigo é
um pouco como música, um
pouco mais como uma cor curvando-se (por exemplo
laranja)
contra o silêncio, ou a escuridão...

a vinda do meu amor emite
um maravilhoso odor no meu pensamento,

devias ver quando a encontro
como a minha menor pulsação se torna menos.
E então toda a beleza dela é um torno

cujos quietos lábios me assassinam subitamente,

mas do meu cadáver a ferramenta o sorriso dela faz algo
subitamente luminoso e preciso

-e então somos Eu e Ela...

o que é isso que o realejo toca

(e.e.cummings)

quinta-feira, janeiro 06, 2005

missing...

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pasárgada.
avistada pela última vez entre as teclas delete e escape, evidenciando sinais de perturbação psíqui0)ae%824isy*hiuqew9c9n7t4wb+&hni8ho7miuc284yn0mj01=)(&&#$c9ue/\b84hc ´1’o’3u

terça-feira, janeiro 04, 2005

quarta-feira, dezembro 29, 2004

a reconstrução dos dias

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sally mann / da série cibachromes / 1981.83

não falo do princípio nem do fim
sigo apenas atenta à invisibilidade das coisas
embora por vezes tropece em dias cheios de destroços


mas vou limpando esses territórios de devastação
organizando a planta da minha casa,
esta é a minha sala, este é o meu quarto,
este é o estreito corredor onde abro a porta e saio para o mundo.

terça-feira, dezembro 28, 2004

( )

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a onda / katsushika hokusai

ela diz:
“eu não fui domesticada, eu não sou traduzível, lanço o meu grito bárbaro sobre os telhados do mundo”.
alguém a devia ouvir.

quinta-feira, dezembro 23, 2004

cheiros de inverno

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(fotografia de jam / douro, 2003)

nestes lugares respira-se o sol por entre as vides

terça-feira, dezembro 21, 2004

pelos olhos passeiam imagens (# 03)

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(sally mann / da série family color / 1990.91)

childhood house (an excerpt)

...somehow i had assumed
that the past stood still, in perfected effigies of itself,
and that what we had possessed remained our possession
forever, and that at the least the past, our past, our childhood,
waited, always available, at the touch of a nerve,
did not deteriorate like the untended house of an
aging mother, but stood in pristine perfection, as in
our remembrance. I see that isn't so, that
memory decays like the rest, is unstable in its essence,
flits, occludes, is variable, sidesteps, bleeds away, eludes
all recovery; worse, is not what it seemed once, alters
unfairly, is not the intact garden we remember but,
instead, speeds away from us backward terrifically
until when we pause to touch that sun-remembered
wall the stones are friable, crack and sift down,
and we could cry at the fierceness of that velocity
if our astonished eyes had time.

eric ormsby

domingo, dezembro 19, 2004

quinta-feira, dezembro 16, 2004

os dias absurdos

o artista deve pôr em ordem a sua vida.
Os meus actos diários têm este rigoroso horário:
Levantar: às 7.18 h; inspirado: das 10.23 h às 11.47 h. Começo a almoçar às 12.11 h e saio da mesa às 12.14 h.
Saudável passeio a cavalo no fundo do meu parque: das 13.19 h às 14.53 h. Outra inspiração das 15.12 h às 16.07h.
Ocupações várias (esgrima, reflexões, imobilidade, visitas, contemplação, destreza, natação, etc.) das 16.21 h às 18.47 h.
O jantar é servido às 19.16 h e termina às 19.20 h. Das 20.09 h às 21.59 h chega a altura das leituras sinfónicas em voz alta.
Deito-me regularmente às 22.37 h. Hebdomanariamente (às terças), um despertar em sobressalto às 3.19 h.
Só como alimentos brancos: ovos, açúcar, ossos ralados; gordura de animais mortos; vitela, sal, nozes de coco, frango cozido em vinho branco; bolor de fruta, arroz, nabos; rolinhos de naftalina, massas, queijo (branco), salada de algodão e certos peixes (sem a pele).
O vinho, mando-o ferver e bebo-o frio com sumo de fúchsia. Tenho apetite; mas enquanto como não falo, com medo de me engasgar.
Respiro com cuidado (pouco de cada vez). Muito raramente danço. Quando me desloco, apoio-me numa camisa de onze varas e olho fixamente para trás.
Quando rio, o meu ar muito sério não é de propósito; peço sempre, com ar afável, que mo desculpem.
Só durmo com um olho; e tenho um sono muito duro numa cama que uso redonda, com um buraco para enfiar a cabeça. De hora a hora, um criado tira-me a temperatura e dá-me outra.
Sou, desde há muito, assinante de um jornal de modas. Uso boné branco, meias brancas, colete branco.
O meu médico disse-me sempre para eu fumar. E a tal conselho, acrescenta:
- O meu amigo fume; se não o fizer, outro fumará por si.

(erik satie, memória de um amnésico)

quarta-feira, dezembro 15, 2004

territórios da (in)visibilidade (# 01)

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(aeroporto francisco sá carneiro, 2004)
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A fotografia é realidade?

(realidade, s. f. qualidade do que é real; o que existe de facto; objectividade; certeza.

real (lat. reale - res, coisa), adj. que tem de facto existência; que não é imaginário; verdadeiro; efectivo; por oposição a pessoal, diz-se do que é relativo às coisas e não às pessoas; por oposição a nominal, diz-se quando se considera as próprias coisas e não os termos que as exprimem;)


segunda-feira, dezembro 13, 2004

pelos olhos passeiam imagens (# 02)

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francesca woodman / eel series / 1978

“reduzida ao estado de pura linguagem uma fotografia não nos desorganiza”
roland barthes

sexta-feira, dezembro 10, 2004

evocação de uma árvore

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(douro / 2004)

chegou-se a ela devagarinho e murmurou longamente:
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deste lado era inverno, os ossos estavam frágeis e precários como gelo e ele fundia-se com a silenciosa incertitude do mundo.

(memória arquivada: in the mood for love)

O'Neill

Servem estas coisas dos blogues também para isto : alertar os amigos que já não leiam os e-mails para estas coisas:

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No centro português de fotografia a partir de amanhã.

quinta-feira, dezembro 09, 2004

vou-me embora pra pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.


(manuel bandeira)

terça-feira, dezembro 07, 2004

do espiritual na arte (# 03)

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(amsterdão, 2004)

“É certo que as obras de arte encerram segredos, suscitam perguntas, não se afligem com contradições.
Assim, quando nos tocam, dizem-nos tanto sobre o seu mistério como nos colocam, queiramos ou não, perante as nossas próprias angústias. Numa palavra abalam-nos.”
(maria joão madeira)

“(...) a obra de arte não mantém um monólogo supremo, mas, sim, um diálogo invencível.”
(andré malraux / as vozes do silêncio)

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(amsterdão, 2004)

domingo, dezembro 05, 2004

cumplicidades

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os jogadores de râguebi / henri rousseau / 1908
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O que fica do correr dos dias é esta pura alegria: as gotas de água a gargalhar-te rosto abaixo, os abraços apertados dos amigos, as portas sempre abertas para entrares, a mão que na viagem te protege do frio.

quarta-feira, dezembro 01, 2004

pelos olhos passeiam imagens (# 01)

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graciela iturbide / o senhor dos pássaros / nayarit, méxico / 1985


(As asas do seu casaco dão o primeiro sinal.
Será que ele consegue a metamorfose?)

novos ares

Por cá parece que agora se respira melhor.
O espírito natalício chegou a Belém.

enquanto o meu corpo enregela numa aflição de náufrago (#01)

atiro setas à lua esperando
uma profusão cardíaca de acontecimentos ou
uma ordem cósmica de dentro mas
deus é um monstruoso sádico