bill viola/tríptico de nantes/imagens vídeo/1992
terça-feira, maio 24, 2005
domingo, maio 22, 2005
do espiritual na arte (#05)
"a palavra escrita ensinou-me a escutar a palavra humana"
marguerite yourcenar
marguerite yourcenar
sexta-feira, maio 20, 2005
domingo, maio 15, 2005
*
your hands will not be able to stretch as far as necessary to form an adequate gesture for beauty
(you know that, don´t you?)
so beauty remains in the impossibilities of the body *
(you know that, don´t you?)
so beauty remains in the impossibilities of the body *
quinta-feira, maio 12, 2005
quarta-feira, maio 11, 2005
domingo, maio 08, 2005
domingo à tarde
os cães ladram ao longe um pássaro construiu um ninho na ameixoeira há abelhas na sua tarefa infindável faz calor
saboreio o álcool a pimenta e o gelo agrada-me sobretudo o tinir do gelo contra as faces embaciadas do vidro e gosto de alisar com o meu polegar a geometria dócil das gotículas de vapor
vai começar a anoitecer subo as escadas para retornar ao significado obscuro das tarefas habituais
saboreio o álcool a pimenta e o gelo agrada-me sobretudo o tinir do gelo contra as faces embaciadas do vidro e gosto de alisar com o meu polegar a geometria dócil das gotículas de vapor
vai começar a anoitecer subo as escadas para retornar ao significado obscuro das tarefas habituais
sexta-feira, abril 29, 2005
este e outros lados do espelho (n.º 3)
fotografia digital (2005) sobre fotografia p/b (1999) sobre espelho
quinta-feira, abril 28, 2005
este e outros lados do espelho (n.º 1)
helena almeida / série pintura habitada
já não sou eu, mas outro que mal acaba de começar
beckett
segunda-feira, abril 25, 2005
pessoas em flor
ele viu-as:
os cravos a desabrochar das lapelas dos seus fatos de domingo
(eram três, em frente ao seu jornal, no café oásis)
os cravos a desabrochar das lapelas dos seus fatos de domingo
(eram três, em frente ao seu jornal, no café oásis)
sábado, abril 23, 2005
o questionário ao som de calcanhotto
um livro lido. joseph, a um deus desconhecido / zenão, obra ao negro. duas viagens, francisco villa lobos. prometeu agrilhoado, ésquilo. erva vermelha, boris vian o tempo aprazado, ingeborg bachmann memória das minhas putas tristes, gabriel garcia marquez. -----------. -------------.
sexta-feira, abril 22, 2005
...........................................................................
helena almeida / corte secreto / 1981
a vibração do ar na ferida
terça-feira, abril 19, 2005
.........................................................................
helena almeida / negro exterior / 1981
ou subcutâneo
sábado, abril 16, 2005
os dias quase perfeitos
são os passados curvada sobre a terra com o ácer o jasmim os amores (im)perfeitos e as pequenas plantas anónimas que agora se enraízam no jardim
são quando abro brechas na terra como se mergulhasse na água
e é finalmente o encontro de duas paixões
é o confronto com a mulher que diz não se levar demasiado a sério e por isso não estar em inferioridade perante a vida (agustina)
sexta-feira, abril 15, 2005
absolut bergman (persona revisitado)
há estórias e imagens que nunca se esgotam: mais que viscerais são ontogénicas
depois delas nunca mais somos os mesmos nem olhamos o mundo da mesma forma
há realizadores assim, que fazem filmes para habitar em nós
quinta-feira, abril 14, 2005
domingo, abril 10, 2005
tactear para ver no escuro
A cabeça em ambulância
Há feridas cíclicas
há violentos voos
dentro de câmaras de ar curvas
feridas que se pensam de noite
e rebentam pela manhã
ou que de noite se abrem
e pela amanhã são pensadas
com todos os pensamentos
que os órgãos são hábeis
em inventar como pensos
ligaduras capacetes
sacramentos
com que se prende a cabeça
quando ela se nos afasta
quando ela nos pressente
em síncope ou desnudamento
ou num erro mais espaçoso
ou numa letra mais muda
ou na sala de tortura
na sala escura, de infância
Luiza Neto Jorge
sexta-feira, abril 08, 2005
(entre parêntesis)
se não fosse agnóstica esta seria provavelmente a minha imagem de deus: um mago que brinca com as suas serpentes.
quarta-feira, abril 06, 2005
lugares des.habitados
mihai mangiulea / neverplaces 2
Há um barco vazio que ao cair da noite vai descendo o canal negro.
Na obscuridade do velho asilo há ruínas humanas em decadência.
Os órfãos mortos jazem junto aos muros do jardim.
De quartos cinzentos saem anjos com asas sujas de excrementos.
Gotejam-lhes vermes das asas amareladas.
A praça da igreja está sombria e mergulhada no silêncio, como nos dias da infância.
Sobre solas de prata deslizam vidas passadas
E as sombras dos condenados descem às águas soluçantes.
No túmulo, o mago branco brinca com as suas serpentes.
(george trakl / outono transfigurado / excerto do poema salmo)
terça-feira, abril 05, 2005
lugares des.habitados
alentejo / 2005
carcomidos. em carne viva. eles têm o céu entre os limites das ruínas.
segunda-feira, abril 04, 2005
sábado, abril 02, 2005
notas de viagem II
sob as árvores dos largos alentejanos / 2005
lá, as paredes são rasas, quase nulas, porque há sempre uma árvore no centro do coração
sexta-feira, abril 01, 2005
domingo, março 27, 2005
quinta-feira, março 24, 2005
pelos olhos passeiam imagens (# 05)
maggie taylor
O decifrador de imagens
persegue um fantasma de vestígios
como Ulisses amarrado
ao querer do conhecer
A descoberta é invenção provisória:
as vozes não se vêem
o que se vê não se ouve
A imaginação
ergue-se do arrepio da sombra
guerrilha entre parênteses
ergue-se da constante chacina
procurando outra coisa
outra causa
o outro lado do ver
(ana hatherly)
segunda-feira, março 21, 2005
sexta-feira, março 18, 2005
anjos à tua porta
jean genet /excerto do poema o condenado à morte
francesca woodman / from angel series
porto / 2005
graciela iturbide / mujer anjel
(...)
y sobre todo ángeles,
ángeles bellos como cuchillos
que se elevan en la noche
y devastan la esperanza.
(alejandra pizarnik)
quarta-feira, março 16, 2005
a quase invisibilidade
é fatal quando no dia seguinte acordamos para a insignificância das imagens face aos pequenos momentos de estado de graça




2005
2005
segunda-feira, março 14, 2005
vera drake
treme-se durante este filme.
há olhares que as palavras não conseguem contar.
foi há cinquenta anos, é ainda hoje.
quinta-feira, março 10, 2005
quarta-feira, março 09, 2005
a vida a preto e branco # 02
há alturas em que acreditar no humano é o mais excruciante exercício de crença



imagens da trilogia documental qatsi de godfrey reggio
Ko.yaa.nis.qatsi (from the Hopi language), n. 1. Crazy life. 2. Life in turmoil. 3. Life disintegrating. 4. Life out of balance. 5. A state of life that calls for another way of living.
Po.waq.qa.tsi (from the Hopi language, powaq sorcerer + qatsi life)
n., an entity; a way of life, that consumes the life forces of other beings in order to further its own life. (life in transformation)
Na-qoy-qatsi (nah koy’ kahtsee) N. From the Hopi Language.
1. A life of killing each other. 2. War as a way of life. 3. (Interpreted) Civilized violence.
imagens da trilogia documental qatsi de godfrey reggio
Ko.yaa.nis.qatsi (from the Hopi language), n. 1. Crazy life. 2. Life in turmoil. 3. Life disintegrating. 4. Life out of balance. 5. A state of life that calls for another way of living.
Po.waq.qa.tsi (from the Hopi language, powaq sorcerer + qatsi life)
n., an entity; a way of life, that consumes the life forces of other beings in order to further its own life. (life in transformation)
Na-qoy-qatsi (nah koy’ kahtsee) N. From the Hopi Language.
1. A life of killing each other. 2. War as a way of life. 3. (Interpreted) Civilized violence.
terça-feira, março 08, 2005
a vida a preto e branco # 01
Ciclo
O molar solitário de uma prostituta,
que morrera no anonimato,
tinha uma aplicação de ouro.
Os restantes, como por mudo acordo tácito,
tinham caído.
O funcionário da morgue arrancou-o,
pô-lo no prego e foi dançar.
É que, dizia ele,
só o que é terra à terra deve voltar.
Gottfried Benn
O molar solitário de uma prostituta,
que morrera no anonimato,
tinha uma aplicação de ouro.
Os restantes, como por mudo acordo tácito,
tinham caído.
O funcionário da morgue arrancou-o,
pô-lo no prego e foi dançar.
É que, dizia ele,
só o que é terra à terra deve voltar.
Gottfried Benn
segunda-feira, março 07, 2005
instante
2005
Deixai-me limpo
O ar dos quartos
E liso
O branco das paredes
Deixai-me com as coisas
Fundadas no silêncio
Sophia de Mello Breyner Andresen
sábado, março 05, 2005
terça-feira, março 01, 2005
última ciência*
2005
Águas espasmódicas, luas repetidas nas águas.
Ninguém sabe se as luas vistas pulsam da pulsação
das águas, ou se as águas pulsam
pela força das luas
exaltadas. E o mundo, o espelho que as luas acordam e de onde
transbordam as águas, sou eu que o contemplo,
é ele que me contempla,
ou trocamo-nos? Vivemos pelo poder
das imagens. Pelo sangue e a inocência
e o ríspido esplendor e a crispação fundida e a matéria
cardíaca e mútua.
- De nome em nome passam por mim os sopros.
(*herberto helder)
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