domingo, março 27, 2005
quinta-feira, março 24, 2005
pelos olhos passeiam imagens (# 05)
maggie taylor
O decifrador de imagens
persegue um fantasma de vestígios
como Ulisses amarrado
ao querer do conhecer
A descoberta é invenção provisória:
as vozes não se vêem
o que se vê não se ouve
A imaginação
ergue-se do arrepio da sombra
guerrilha entre parênteses
ergue-se da constante chacina
procurando outra coisa
outra causa
o outro lado do ver
(ana hatherly)
segunda-feira, março 21, 2005
sexta-feira, março 18, 2005
anjos à tua porta
jean genet /excerto do poema o condenado à morte
francesca woodman / from angel series
porto / 2005
graciela iturbide / mujer anjel
(...)
y sobre todo ángeles,
ángeles bellos como cuchillos
que se elevan en la noche
y devastan la esperanza.
(alejandra pizarnik)
quarta-feira, março 16, 2005
a quase invisibilidade
é fatal quando no dia seguinte acordamos para a insignificância das imagens face aos pequenos momentos de estado de graça




2005
2005
segunda-feira, março 14, 2005
vera drake
treme-se durante este filme.
há olhares que as palavras não conseguem contar.
foi há cinquenta anos, é ainda hoje.
quinta-feira, março 10, 2005
quarta-feira, março 09, 2005
a vida a preto e branco # 02
há alturas em que acreditar no humano é o mais excruciante exercício de crença



imagens da trilogia documental qatsi de godfrey reggio
Ko.yaa.nis.qatsi (from the Hopi language), n. 1. Crazy life. 2. Life in turmoil. 3. Life disintegrating. 4. Life out of balance. 5. A state of life that calls for another way of living.
Po.waq.qa.tsi (from the Hopi language, powaq sorcerer + qatsi life)
n., an entity; a way of life, that consumes the life forces of other beings in order to further its own life. (life in transformation)
Na-qoy-qatsi (nah koy’ kahtsee) N. From the Hopi Language.
1. A life of killing each other. 2. War as a way of life. 3. (Interpreted) Civilized violence.
imagens da trilogia documental qatsi de godfrey reggio
Ko.yaa.nis.qatsi (from the Hopi language), n. 1. Crazy life. 2. Life in turmoil. 3. Life disintegrating. 4. Life out of balance. 5. A state of life that calls for another way of living.
Po.waq.qa.tsi (from the Hopi language, powaq sorcerer + qatsi life)
n., an entity; a way of life, that consumes the life forces of other beings in order to further its own life. (life in transformation)
Na-qoy-qatsi (nah koy’ kahtsee) N. From the Hopi Language.
1. A life of killing each other. 2. War as a way of life. 3. (Interpreted) Civilized violence.
terça-feira, março 08, 2005
a vida a preto e branco # 01
Ciclo
O molar solitário de uma prostituta,
que morrera no anonimato,
tinha uma aplicação de ouro.
Os restantes, como por mudo acordo tácito,
tinham caído.
O funcionário da morgue arrancou-o,
pô-lo no prego e foi dançar.
É que, dizia ele,
só o que é terra à terra deve voltar.
Gottfried Benn
O molar solitário de uma prostituta,
que morrera no anonimato,
tinha uma aplicação de ouro.
Os restantes, como por mudo acordo tácito,
tinham caído.
O funcionário da morgue arrancou-o,
pô-lo no prego e foi dançar.
É que, dizia ele,
só o que é terra à terra deve voltar.
Gottfried Benn
segunda-feira, março 07, 2005
instante
2005
Deixai-me limpo
O ar dos quartos
E liso
O branco das paredes
Deixai-me com as coisas
Fundadas no silêncio
Sophia de Mello Breyner Andresen
sábado, março 05, 2005
terça-feira, março 01, 2005
última ciência*
2005
Águas espasmódicas, luas repetidas nas águas.
Ninguém sabe se as luas vistas pulsam da pulsação
das águas, ou se as águas pulsam
pela força das luas
exaltadas. E o mundo, o espelho que as luas acordam e de onde
transbordam as águas, sou eu que o contemplo,
é ele que me contempla,
ou trocamo-nos? Vivemos pelo poder
das imagens. Pelo sangue e a inocência
e o ríspido esplendor e a crispação fundida e a matéria
cardíaca e mútua.
- De nome em nome passam por mim os sopros.
(*herberto helder)
segunda-feira, fevereiro 28, 2005
still life # 02
quarta-feira, fevereiro 23, 2005
a maneira como olhava para as cousas*
O SENTIMENTO DE UM OCIDENTAL : IV HORAS MORTAS
O tecto fundo de oxigénio, d’ar,
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;
Vem lágrimas de luz dos astros com olheiras,
Enleva-me a quimera azul de transmigrar.
Por baixo, que portões! Que arruamentos!
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
E os olhos dum caleche espantam-me sangrentos.
E eu sigo, como as linhas de uma pauta,
A dupla correnteza augusta das fachadas;
Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas,
As notas pastorais de uma flauta.
Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!
Esqueço-me a prever castíssimas esposas,
Que aninhem em mansões de vidro transparente!
Ó nossos filhos! Que sonhos ágeis,
Pousando, vos trarão a nitidez às vidas!
Eu quero as vossas mães e irmãs estremecidas,
Numas habitações translúcidas e frágeis.
Ah! Como a raça ruiva do porvir,
E as frotas dos avós, e os nómadas ardentes,
Nós vamos explorar todos os continentes
E pelas vastidões aquáticas seguir!
Mas se vivemos, os emparedados,
Sem árvores, no vale escuro das muralhas!...
Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas
E os gritos de socorro ouvir estrangulados.
E nestes nebulosos corredores
Nauseiam-me, surgindo, os ventres das tabernas;
Na volta, com saudade, e aos bordos sobre as pernas,
Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores.
Eu não receio, todavia, os roubos;
Afastam-se, a distância, os dúbios caminhantes;
E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes,
Amareladamente, os cães parecem lobos.
E os guardas, que revistam as escadas,
Caminham de lanterna e servem de chaveiros;
Por cima, as imorais, nos seus roupões ligeiros,
Tossem, fumando, sobre a pedra das sacadas.
E, enorme, nesta massa irregular
Dos prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés, de fel, como um sinistro mar.
Cesário Verde
(* Alberto Caeiro, sobre Cesário Verde)
O tecto fundo de oxigénio, d’ar,
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;
Vem lágrimas de luz dos astros com olheiras,
Enleva-me a quimera azul de transmigrar.
Por baixo, que portões! Que arruamentos!
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
E os olhos dum caleche espantam-me sangrentos.
E eu sigo, como as linhas de uma pauta,
A dupla correnteza augusta das fachadas;
Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas,
As notas pastorais de uma flauta.
Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!
Esqueço-me a prever castíssimas esposas,
Que aninhem em mansões de vidro transparente!
Ó nossos filhos! Que sonhos ágeis,
Pousando, vos trarão a nitidez às vidas!
Eu quero as vossas mães e irmãs estremecidas,
Numas habitações translúcidas e frágeis.
Ah! Como a raça ruiva do porvir,
E as frotas dos avós, e os nómadas ardentes,
Nós vamos explorar todos os continentes
E pelas vastidões aquáticas seguir!
Mas se vivemos, os emparedados,
Sem árvores, no vale escuro das muralhas!...
Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas
E os gritos de socorro ouvir estrangulados.
E nestes nebulosos corredores
Nauseiam-me, surgindo, os ventres das tabernas;
Na volta, com saudade, e aos bordos sobre as pernas,
Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores.
Eu não receio, todavia, os roubos;
Afastam-se, a distância, os dúbios caminhantes;
E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes,
Amareladamente, os cães parecem lobos.
E os guardas, que revistam as escadas,
Caminham de lanterna e servem de chaveiros;
Por cima, as imorais, nos seus roupões ligeiros,
Tossem, fumando, sobre a pedra das sacadas.
E, enorme, nesta massa irregular
Dos prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés, de fel, como um sinistro mar.
Cesário Verde
(* Alberto Caeiro, sobre Cesário Verde)
terça-feira, fevereiro 22, 2005
sexta-feira, fevereiro 18, 2005
quarta-feira, fevereiro 16, 2005
terça-feira, fevereiro 15, 2005
ouvido interno (floating above the grass)
múm / álbum finally we are no one / green grass of tunnel
pura poesia, de arrepiar o pelo sob um antecipado sol de primavera
segunda-feira, fevereiro 14, 2005
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